A Falência aos 40… E Agora?!

Zona de Conforto

No ano em que fiz 36 anos realizei o maior sonho da minha vida, fui mãe! Para que tudo corresse como sempre idealizei na minha cabeça, não podia estar a trabalhar das 9h00 às 18h00 em Lisboa e a viver em Sintra, caso contrário passaria mais tempo no local de trabalho e em transportes públicos do que a ver crescer o sonho, o meu filho!

Quando ele completou 5 meses tive que voltar à rotina que em nada me fazia feliz, ganhava mal, fazia o que não gostava e trabalhava rodeada, na sua grande maioria, por pessoas com as quais não queria partilhar o meu dia a dia, a minha vida…os meus sonhos!
O quadro não era dos melhores para uma recém mãe/pai com 36 anos e que precisava de tempo, para a família, e dinheiro para a sustentar. Tinha a ajuda, sempre, incondicional do meu pai mas não é esse o objectivo de vida de nenhum filho, pelo menos não devia ser, viver “à conta” dos progenitores por tempo indeterminado!

Em Setembro de 2006 tive uma ideia luminosa, julgava eu, despedi-me e resolvi investir no meu próprio posto de trabalho, em Dezembro do mesmo ano abri um negócio tradicional… e fracassei!
Como é referido no artigo “Como lidar com a falência de um negócio”, publicado na Teamway Newsletter de Janeiro, são vários os motivos que levam ao fracasso de uma ideia de negócio e até mesmo à falência de uma empresa, no meu caso foram vários e a concorrência desleal dos grandes espaços liderados pelos, sempre presentes, grandes grupos financeiros, foi fulcral!

Não é fácil a decisão de encerrar as portas do nosso projecto, o sentimento é de total desilusão, um misto de alívio/desespero pois o prejuízo não vai ter mais “conta corrente” mas o lucro é algo que está completamente fora de questão, o que se faz numa situação destas?! Tudo o que está ao nosso alcance, isto se a nossa idade “o permitir”… Não há rede de segurança, as ajudas são ilusórias e a partir dos 40 as possibilidades no mundo do trabalho, com dita crise como pano de fundo, são no mínimo caricatas. Ora se nem em reforços de Natal das grandes lojas ou nas caixas de supermercado se consegue que ao menos nos respondam às candidaturas, o que é que se pode esperar após uma falência, aos 40?!

Fiz várias coisas, não gostei de nenhuma, fiquei sem fazer nada e também não gostei, fui obrigada a fazer outras que foram uma total perda de tempo e, sei que não sou a única pessoa com este tipo de trajecto, pergunto-me porque razão não damos “ouvidos” às oportunidades que nos são apresentadas, porque não abrimos a mente ao que não conhecemos? Infelizes e insatisfeitos com o que fazemos não é certamente o que planeámos para as nossas vidas, ou somos máquinas ao serviço de quem quer concretizar os seus próprios sonhos?!

Voltar a empreender nem sempre é fácil mas é preferível do que voltar ao ponto inicial, ser mal pago, não ter tempo para estar com quem amamos, ter uma rotina que se torna deprimente e sem perspectivas de um futuro que nos faça sorrir e nos deixe felizes sempre que nos levantamos pela manhã.

Eu dei ouvidos a uma nova forma de empreender e isto 5 anos depois dos 40, não é fácil mas também não é impossível e aqui, na Teamway, encontrei o que gosto de fazer, rodeada por pessoas com quem quero partilhar os meus sonhos e com a possibilidade de ganhar o que mereço, ou seja, o equivalente ao que me proponho fazer, nada mais, nada menos!

É ou não é um Sonho?!

Empresária Teamway – Sónia Torres

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