Motivação pelo Açúcar na Escola? – Sónia Torres

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Este ano lectivo trouxe-nos, à família, um novo colégio bem como um novo ciclo, o 2º ciclo! Até aqui fantástico, pois a vida é feita de novas etapas, novos desafios e isso faz-nos crescer aprendendo a apreciar o que temos ao nosso alcance e dar valor a quem está perto de nós, mas…

Na vida temos que lidar com o menos bom, com o mau e com aquilo que nos tira completamente do sério, também!

Algo que me transforma numa criatura nada amistosa e muito pouco tolerante é o tentarem minimizar algo que eu considero grave e que é prejudicial ao bem-estar geral do meu filho! Acredito que vocês, mães e pais que me estão a ler, não sintam menos que isto.

Açúcar e Motivação

Passemos então ao que me trouxe aqui, o açúcar associado à motivação. Há uns dias tive que solicitar uma reunião de urgência com a direcção do colégio do meu filho, ainda nem o primeiro período vai a meio, devido a vários problemas, dois deles graves, e um deles o que me levou a escrever estas linhas.

Há um professor que tem vindo a insistir que é bom para os seus alunos motivá-los com gomas, ou seja, é dito à criança que se tiver X respostas certas é recompensada com gomas, o que na minha opinião e acredito que na de muitas famílias, é uma falta de respeito para com as crianças pois como todos nós, pessoas bem informadas sabemos, o açúcar é um veneno! O pior é que, deve ter sido por osmose, a situação se repetiu em outra disciplina: “Se tiverem um 18 eu dou-vos gomas!”. Eu já ia no segundo email enviado à directora de turma quando tive que solicitar esta reunião pois para além de uma outra situação, talvez mais tarde venha a escrever sobre ela, o açúcar “gritava” mais alto do que a minha tentativa de ter calma…

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Expus a minha indignação e questionei o conhecimento em relação ao veneno com que estes professores estavam a motivar as crianças em jeito de animais amestrados, referi que o Ministério da Educação iniciou uma “guerra aberta” ao excesso de porcaria que é colocada à mão das crianças para que elas consumam sem conta e medida, perguntei se alguma vez tinham lido os rótulos das embalagens de gomas… De vez em quando não é todas as semanas e se todos os professores aderirem a esta “moda” são 5 dias por semana distribuídos por 16 disciplinas, sem contar com as festas de aniversário a que os miúdos vão que são um autêntico buffet de açúcar!

Pedi que tivessem esta situação em atenção e que por favor não o fizessem mas no geral, não só com o meu filho! Em resposta ouvi algo que me deixou num estado de “mixed emotions” pois fiquei com a ideia de que estive a pregar no deserto: “Está a pedir que se altere um método em favorecimento de um…” Método?! Mas motivar alunos com gomas é um método?!

Foi-me dito que era um mimo, que não era por mal, que o meu filho até é uma criança magra, que eu estava zangada e a exagerar, que talvez eu seja uma mãe muito protectora…Enfim, foram me ditas muitas coisas e atenção que nem todas elas foram más! Em relação a este assunto sai de lá com uma promessa de espaçamento dos “mimos de açúcar” a qual não me satisfaz e fiz questão de o dizer!

O certo é que não tem havido motivação pelo açúcar e um dos docentes disse às crianças que para lhes dar gomas os pais tinham que autorizar, até ver nem tudo é mau… Mas uma coisa é garantida, não baixo os braços pois o meu filho é magro, eu sou gorda e o açúcar não faz bem a ambos!

Tenhamos isto em mente:

“Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói. A hipertensão não dói, a diabetes não dói. Não doem, mas matam.” – Pediatra Júlia Galhardo responsável pela consulta de obesidade no Hospital Dona Estefânia

Sónia Torres

Mother & Leader Teamway

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