Jovens Sem Chefes | O Modelo de Sucesso da Minha Geração – Margarida Pereira

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Hoje sinto-me especialmente inspirada pelo “The CNN Freedom Project” – um projecto que surge com o intuito de pôr termo à escravatura moderna. Assim, neste dia 14 de Março, estudantes de todo o mundo partilham mensagens que elevam a nossa consciência para este tema, usando o hastag #MyFreedomDay.

Ao reflectir sobre isto a minha mente transportou-me, de imediato, para um artigo que me iluminou há algum tempo atrás e que falava sobre os modelos de sucesso das diferentes gerações. Explicava que, na geração dos nossos avós, a pessoa de sucesso era aquela que construía uma família bem estruturada – tinha um casamento duradouro e filhos bem-criados. Sob este modelo, os nossos avós criaram os nossos pais, na esperança que eles cumprissem esta meta de sucesso. No entanto, este modelo não coube na vida dos nossos pais e revelou-se a geração do divórcio.

O modelo de sucesso dos nossos pais era a carreira sólida, ou seja, a pessoa bem-sucedida era aquela que prosperava na sua vida profissional em virtude de um bom salário. E assim a minha geração foi criada – somos todos licenciados, mestres ou doutores, mas depois encontramos “executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas”. A história repete-se e o modelo de sucesso dos nossos pais não cabe mais nas nossas vidas – percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Ou pior, nem sabemos qual é a nossa missão.

Assim, surge um novo modelo de sucesso que acredito que este esteja relacionado com o Propósito de Vida. Sinto-me parte integrante de uma geração que não se contenta com uma carreira e uma conta bancária sólidas, porque precisamos de reflectir quem nós somos naquilo que nós fazemos.

“Ser” e “Fazer” precisam de estar profundamente alinhados.

Ficamos frustrados se permanecermos por muito tempo longe do nosso Eu autêntico – daí a procura pelo autoconhecimento e o “olhar para dentro”, de forma a transbordarmos cá para fora quem nós somos.

Falando por mim, não quero ter de viver uma vida que alguém desenhou para mim, quero viver a vida que eu escolhi. Quero ser a dona da minha agenda e do meu tempo, quero poder trabalhar com vista para o mar ou para as montanhas, quero viver uma vida da qual não sinta necessidade de tirar férias, nem odeie as segundas-feiras. Ao contrário do que alguns possam pensar, não se trata de uma geração de mimados que querem tudo à sua maneira, trata-se de alimentar valores de liberdade e ver além das crenças limitantes que nos convencem que a vida dos nossos sonhos nunca passará para a realidade. E acredito que é muito mais trabalhoso romper os modelos que fomos incitados a seguir, do que simplesmente segui-los sob o estado de conformismo. No entanto, a minha geração está determinada a revelar o nosso modelo de sucesso. Sabemos que para viver a vida dos nossos sonhos precisamos de autoconhecimento, autonomia e auto-responsabilização – coisas que a escola tradicional nunca nos ensinou.

A escola encaminha-nos para a passividade quando nos diz o que temos de fazer, como temos de fazer e quando o temos de fazer – matando a nossa genialidade. Somos encaminhados para trabalhar nos projectos dos outros, em vez de impulsionados a empreender as nossas próprias ideias.

Habituados a que os outros sejam os responsáveis pela nossa vida, tendemos a procurar as nossas respostas nos outros. Eu própria o fiz. Sempre procurei orientadores vocacionais na esperança que me dissessem o que vim cá fazer ao mundo. Até ao dia em que a minha geração me despertou para a consciência de que ninguém me iria dar respostas, porque essas só as iria encontrar dentro de mim. Comecei a melhor viagem que fiz até hoje – a do autoconhecimento.

De facto, nasceu o novo modelo em que a pessoa bem-sucedida é aquela que faz escolhas felizes e alinhadas com o seu Eu autêntico. Rodeiem-se de pessoas assim e sintam a energia impulsionadora da minha geração.

Somos proatividade em vez de passividade.

Partilhem o que é a liberdade para vocês. #MyFreedomDay

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Margarida Pereira

1 thought on “Jovens Sem Chefes | O Modelo de Sucesso da Minha Geração – Margarida Pereira

  • Continua é bom ler e sentir como transmites algo tão importante, como o autoconhecimento e o compromisso connosco e com o nosso propóstito de vida.
    Só lamento que o diálogo entre as gerações seja tão pobre e se perca todo o enriquecimento mútuo que nos devia incentivar e unir.
    Mas, como alguém uma vez me disse, “tudo o que somos e sentimos irá passando por osmose” e creio também com as nossas opções diárias.
    Somos todos responsáveis e urge não nos demitirmos.
    Bem-hajas!

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